chacalog


 bailemos pois.



Escrito por chacal às 08h32
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


 Chacal  é o convidado do FrenteVerso deste domingo

PDF Imprimir E-mail

DA REDAÇÃO  

 

Ricardo de Carvalho Duarte, mais conhecido como Chacal, faz parte da chamada "geração mimeógrafo", um grupo de jovens sonhadores que na década de 1970 divulgava seus trabalhos em livrinhos feitos naqueles velhos instrumentos de cópia de textos e vendidos pelos próprios autores em bares, shows e outros eventos culturais. Chacal é o convidado do jornalista Marco Lacerda no FrenteVerso deste domingo. O programa pode ser acessado de qualquer parte do Brasil e do mundo através do site www.inconfidencia.com.br
Nos anos 80 e 90, Chacal ficou mais conhecido como músico e letrista com parcerias célebres com Moraes Moreira, Jards Macalé, Lulu Santos, Evandro Mesquita, Fernanda Abreu e outras bandas e compositores de sucesso. Aos 58 anos, ele fala da chegada da velhice com a tranquilidade de quem sabe o seu preço.
 


Escrito por chacal às 12h09
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


CONVIVERSAR

E LÁ VOU EU VIAJAR PELAS CIDADES ASSINALADAS TROCANDO IDÉIAS, VIVENDO O VERSO.

americana - segunda, 9.

são pedro - terça, 10.

leme - quarta, 11.

jaguariúna - quinta, 12.

valinhos - sexta, 13.

Viagem Literária

Lançado em 2008, o programa Viagem Literária é uma parceria entre a Secretaria de Estado da Cultura e as Bibliotecas públicas das cidades participantes.

O programa visa, por meio de atividades realizadas em bibliotecas e encontros com escritores consagrados, incentivar a leitura e aproximar ainda mais o público desses espaços.

As atividades pretendem ser uma “viagem” prazerosa pelo mundo literário, por meio de bate-papos com escritores e cronistas, oficinas de criação literária e contação de histórias.

Em 2008, o programa levou consagrados escritores brasileiros a bibliotecas de 40 cidades paulistas. Ao longo de quatro meses – agosto a novembro –, as bibliotecas receberam 160 atrações, com programações destinadas a um módulo diferente a cada mês. Em agosto o foco foi o público infantil, em setembro a programação dedicou-se ao bate-papo com escritores de renome como Mário Prata, Zuenir Ventura, Marcelino Freire, Ignácio de Loyola Brandão entre outros. No mês de outubro, foi a vez dos cronistas falarem sobre a arte de fazer crônicas a partir dos mais variados temas e assuntos do cotidiano. Em novembro, o público foi convidado a participar de oficinas de criação literária, para produzir contos e poemas, aprimorando seu talento e a sua relação com o texto literário.

Em 2009, o programa cresceu e levará, de junho a novembro, um total de 275 atividades a 55 cidades participantes. Entre os escritores de destaque desta segunda edição estão: Milton Hatoum, Ronaldo Bressane, Carola Saavedra, Beatriz Bracher, Adélia Prado, Menalton Braff entre outros talentos.

Cada biblioteca receberá uma atração mensal ligada à literatura. Bate-papos com autores, contação de histórias e oficinas de criação literária serão o passaporte para uma deliciosa viagem pelo mundo dos livros. Essas atividades são organizadas em módulos temáticos.

JUNHO – Bate-papo com o Escritor: leituras escolhidas
AGOSTO – Contação de Histórias
SETEMBRO – Bate-papo com o Escritor: literatura infanto-juvenil
OUTUBRO – Bate-papo com o Escritor: literatura para todos
NOVEMBRO – Oficina de Criação Literária

Cidades participantes em 2009: Adolfo, Alumínio, Americana, Américo Brasiliense, Anhumas, Apiaí, Arujá, Batatais, Botucatu, Buritama, Buritizal, Campos do Jordão, Cerqueira César, Cerquilho, Cruz das Posses (distrito de Sertãozinho), Cubatão, Dobrada, Eldorado, Fartura, Ferraz de Vasconcelos, Gavião Peixoto, Getulina, Guapiaçú, Guaratinguetá, Ibiúna, Ilha Comprida, Ilha Solteira, Ilhabela, Itanhaém, Itapeva, Jaboticabal, Jaguariúna, Jardinópolis, Junqueirópolis, Leme, Macatuba, Miguelópolis, Osvaldo Cruz, Palmital, Pederneiras, Penápolis, Pindamonhangaba, Presidente Venceslau, Rancharia, Ribeirão Corrente, Santa Cruz do Rio Pardo, São Caetano do Sul, São Francisco Xavier (distrito de São José dos Campos), São Pedro, São Roque, Taguaí, Tanabi, Valinhos, Valparaíso e Viradouro.

 

QUEM SABE AGORA COM MAIS VERBA NO ORÇAMENTO,

A SECRETARIA DE CULTURA DO RIO SE ANIME A FAZER ALGO PARECIDO.



Escrito por chacal às 16h23
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


 to escrevendo pouco.
 to sentindo pouco.
 to até chorando pouco.
 ta tudo tão pouco que ta quase virando nada.
 o problema é que o meu nada é cheio de tudo

 wal

 waleska é amiga de são bernardo. atriz e poeta. fez minha oficina na semana passada. tudo zen.



Escrito por chacal às 11h13
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


 

http://www.youtube.com/watch?v=aMu6HcpWCfY

clicaí pra vc ver uma entrevista dada a claudiney ferreira

para o programa "jogo de idéias".

gosto muito do último poema "cidade", que está incompleto.

filmado na avenida paulista. principal artéria de são paulo

que me atropelou a 32 anos.

http://www.youtube.com/watch?v=IYV05TeD-F0

e esse aqui, feito por danidani, é meu manifesto "bendita palavra maldita"

versão correta.



Escrito por chacal às 21h31
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


  FORTES EMOÇÕES SE AVIZINHAM  !  

semana que vem, de 9 a 13, começa a  VIAGEM LITERÁRIA , um programa da secretaria estadual de cultura de são paulo, que me levará por cinco cidades da região de campinas, próxima à capital. serão cinco workshops de 3 horas cada um, em uma biblioteca local, com um público indefinido. será mais uma experiência devastadora. aguardem notícias diárias dessa incursão mirabolante.  as cidades são: americana (segunda/9) - são pedro (terça,10) – leme (quarta,11) – jaguariúna (quinta,12) – valinhos (sexta,13). vou trocar versos e vivências com a s pessoas como fiz em são bernardo na semana passada como tenho feito há muitos anos. colocarei em prova meu método mortal “v de verso"  baseado no olho e no ouvido da cachola e na experiência de um fantasma-que-anda da poesia carioca. eu sei que vou amar.

depois sem trégua, embarco no dia 14 para o crato, no ceará, para o  FESTIVAL DO CARIRI . lá vou me encontrar com o carlito e dar risada. o manuel ricardo também lá estará e a ana da dantes e o luca santana e o sidney cruz e a turma da pesada dos poetas da lira dissonante de lá e de cá. dou oficina de 3 dias, uivando o verso.

no meio desse adorável tremor de terra, estarei ouvindo 400 marchinhas de carnaval para o CONCURSO DE MARCHINHAS DA FUNDIÇÃO PROGRESSO. se o crioulo aqui não enlouquecer dessa vez e porque ele já foi visitar o bispo joe de há muito.

na volta vou a são paulo para a "BALADA LITERÁRIA" de marcelino freire para um embate com michel melamed, nicolas behr e um uruguaio surpresa.

dia 24 volto ao rio para a grande escolha das marchinhas vencedoras na fundição. depois foco no cep 20.000 de 10 de dezembro. tavinho paes me informa que é o "dia dos direitos humanos" que temos que nos aliar às ONGs etc, etc, como ele fazia no Poesia Voa, no Circo Voador, que à tarde era poesia com índio, sem terra, cadeirantes e anões albinos. agradeci a idéia ao tavinho, mas disse para ele que o cep já está fechado. será o dia do tombamento de tavinho paes. ele será tombado ao som de suas marchinhas carnavalescas e depois rumaremos para a praça cazuza onde seu busto fará companhia ao poeta de todos os bêbados. será tudo devidamente documentado pela minha xereta analógica que também é um cuco e enviado para o cyberspace em direção ao quinto dos infernos. (psiu! ele não deve saber). bem se ele recusar, faremos o "baixo de natal", algo estarrecedor com a presença dos 7Nvos e Maurição, como "a mão peluda do José", um papel consagrador que um dia Bi Ribeiro recusou. Ainda tem vaga no coro "o povo da galiléia" e está faltando o burro no presépio. ressucitarei o minotauro. o mais provável é que aconteça tudo isso de uma forma desorganizada e demencial. enfim já será quase véspera de carnaval. e eu,

 só posso agradecer, engrandecido.

 



Escrito por chacal às 17h02
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


QUEM AMARROU A CULTURA DO RIO DE JANEIRO ?

o CEP 20.000 de outubro foi um espetáculo hype e arrasador, ministrado por tavinho paes, o videopata. meu camarada de tantos anos fez e desfez com sua verve conectada aos bytes e frames. suas convidadas todas foram imbatíveis. infelizmente fiquei na conversa com ana durães que está encarregada de acompanhar o processo do CEP que esse ano ainda não viu a cor da grana. Segundo a nova direção, o modelo agora é ortodoxo, já que a heterodoxia da gestão passada, permitiu muitos desvios. uma forma elegante e eufemística de dizer que neguinho meteu a mão. Mas nós que somos apenas uns trabalhadores da cultura, queremos apenas receber pelo nosso trabalho e poder recolocar o CEP onde sempre esteve: na crista da onda. mas sem verba para divulgação, back line e pro labores, fica muito difícil. esperamos que a atual gestão seja correta e transparente mas que enfrente também o tesouro e suas portas inexpugnáveis protegidas por exigências descabidas e volúveis. depois que mataram a pessoa física, fiquei a mercê da algumas firmas. um expediente não muito correto, mas muito comum. artista não é empresário. esse ano abri a "chacal produções artísticas" para resolver esse problema e receber nos conformes pelo CEP 20.000 como tem acontecido com o SESC, a prefeitura e o estado de São Paulo e outras cidades em algumas oportunidades. Mas a Prefeitura do Rio não aceita minhas notas quentes. Por favor, cara Jandira, senhora secretária de cultura desse município, enfrente o tesouro com sua indomável força política e faça a cultura andar para além do espetacular viradão cultural. o couro do tambor cultural do país rasgou faz tempo.



Escrito por chacal às 11h26
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


caio, ana célia, diogo, kelly, solange, eu e márcia. nélio, wal, lívia e ...

  O BERNADO ATÉ JAH ! 

  a vida às vezes corre mais que as pernas. ainda tenho o que postar sobre são bernardo exp. na câmara de cultura, longe da uniban, não faltou roupa. sobrou afeto e competência. bom trabalhar com uma turma assim, interessada, que dá retorno e desafia. no último dia, a visita inesperada da ana célia, responsável pela minha ida. simpatia sem tamanho. são bernardo, se conseguir se libertar dos parafusos da indústria automotiva e conseguir transferir um naco dessa energia produtiva para a cultura, será em breve um forte pólo de criação artística. os incentivos começam a aparecer. a prefeitura está destinando 2% do orçamento para a cultura e tem bons planos para reativar os lendários estúdios de cinema da Vera Cruz. Está na hora da galera ligada no ecrám apresentar projetos. Quanto à poesia, é só dar apoio aos que já ralam para fazer da língua, uma arma contra o breu. retomar os saraus, uma forma de dar relevo à cena local e integrar as tribos. volto a agradecer à turma. "do velho que vive ao avesso" do nélio ao vinho da solange, tudo foi vivido como manda o figurino, ainda mais depois que descobri que se vai do centro de são paulo à câmera de cultura, fora da hora do rush, com extrema facilidade e conforto, de trólei metrô. sugiro um nome para um encontro de poetas contemporâneos da região de santo andré, são bernardo, são caetano e diadema: " o beabá do abc". estou dentro.



Escrito por chacal às 10h53
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Escrito por chacal às 09h17
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


 

 

 

 

 

à

santa madre

 

o

sim

do

sin

o

e

o

não

do

ser

mão

são bernardo do campo - v de verso - out. 2009

.

chacal

.

só uma ofi-sim-na como a de são bernardo para a gente se soltar e fazer umas coisinhas assim.

estou enfim, depois de trocentas oficinas, confiante num método de teoria e prática poética.

mix de décio, peirce, cabral, chacal. um olho na prática poética, outro no coletivo -  cooperifa / cep / das rosas - uso dessa expressão.

entre diversos versos di/vertidos  pela márcia, pela kelly, pela lívia, pela wal, pelo caio, pela solange,

pela cláudia, pelo nélio, pela mari, pelo diogo, pela patrícia e pelo anderson,

pelos agentes culturais, rogério e sandra, pelo segurança gente boa, pela atenciosíssima val, fui feliz a valer.

muito grato a todos vocês. se a turma aprendeu um tanto, eu aprendi muito mais.

entre sinos, versos e timbres, que retinem até agora. valeu !

 

 



Escrito por chacal às 08h29
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


.

brasão de são bernardo

.

 VIVENDO É QUE SE VIVE

.

Há 33 años, mas precisamente em 1976, às 19 horas de um sábado, estava eu numa viatura coalhada de poetas – Charles Peixoto, Bernardo Vilhena, Ronaldo Santos, Xico Chaves, Adauto Souza Santos. Voltávamos de uma escaramuça poética ao interior do Estado do Rio de Janeiro para a cidade de São Sebastião. Atravessávamos a ponte Rio-Niterói, recém inaugurada em 74 pelo presidente Emílio Garrastazu Médici. Pois ali em cima daquele minhocão sur le mer, fiz uma declaração bombástica: “Eu quero viver de poesia”. O povo ali reunido não creu. Corta.

Ontem à noite, em São Bernardo do Campo, depois de um recital, abri para uma conversinha. Foi quando alguém me perguntou: Qual é sua intenção de vir aqui fazer isso? Podia ter respondido: “Ouvir sua pergunta”. Não estaria mentindo. Quando você vai para o que der e vier, o que vem, te alimenta. Mas fui sincero: “Vim por que me pagam pra isso. Vivo disso. Escrever e falar poesia”. A profecia está cumprida. Foram precisos outros muitos presidentes

até chegar um torneiro mecânico no Planalto, , para que na terra onde ele renasceu, São Bernardo, eu pudesse dizer: vivo disso.

O engraçado que se eu tivesse com um violãozinho na mão e cantarolasse um boogie woggie, o cara que perguntou, sairia dali tranqüilo e ia encher a cara de vodka no bar da esquina. Mas alguém chegar ali e falar umas palavras assim soltas, aquilo não pode. Não está nos manuais. Deve haver uma intenção. Ele perguntou. Eu respondi.

Mas a conversinha rolou gostosa. Contei aquelas histórias da época que atravessava a Ponte Rio Niterói numa viatura coalhada de poetas. Depois o Anderson me perguntou do CEP 20.000, que ele conhecia através do CD da Trip, lançado no ano 2.000. Ele também perdeu o CD. Urge uma reprensagem. Ali a poesia vira música e vice versa. Sempre tem uns que estão ligados.

Mas tinha um inoportuno. As always. Ele fazia uma pergunta e não me deixava responder. Parece que foi ficando bêbado aos poucos. Chamei-lhe a atenção. Ele ficou mais um pouco, levantou e foi beber.

.

.

são bernardo by night

.

Por conta, dessa conversa tão boa, porque ativa a memória, porque você conhece um pouco as pessoas, perdi a hora e o ônibus para voltar a São Paulo. Fiquei um bom tempo no ponto do ônibus, esperando um que não veio. Me indicaram outro. Peguei. Fui parar na periferia de São Bernardo, quase meia noite de sábado. Tudo ermo. Me assustei. O que é que estou fazendo aqui? Com que intenção? Passavam galeras hip hop com cordões imensos no pescoço e aquela indumentária folgada. Enxames de motoquinhas puf puf, com duplas de manos na garupa. A terra do presidente. Passou um ônibus escrito Represa. Era aquele. Aí tudo foi dando certo. Saltei no terminal do Paço. Peguei um trolei até o terminal Jabaquara. E de lá o metrô para a estação Consolação. Dani me apanhou na Paulista e me levou pra casa que já era hora.

.

.

qiz:

.

o que vale mais um parafuso ou um poema?

.



Escrito por chacal às 09h25
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


 

.

desenho de joão vicente, meu filho

.

   SÃO BERNARDO DO CAMPO / ABC / SÃO PAULO 

 CHACAL

24 / 10 / 2009 - sábado - 20h30.

Recital poético, seguido por bate-papo com o público sobre as obras apresentadas (60 min, 14 anos).

Centro Livre das Artes da Palavra/Câmara de Cultura Antonino Assumpção.

Rua Marechal Deodoro,1325, São Bernardo,SP.


        (Ingressos disponíveis uma hora antes, limitados a 2 por pessoa).

 

 

 

 V DE VERSO, com Chacal

26 a 28 segunda a quarta 19h às 22h

Noções básicas sobre o signo verbal e a comunicação poética a partir do estudo da matéria prima do poema.

Público: pessoas que gostam de escrever. Vagas: 20 (com seleção).

Inscrições: 9 a 16, no jornadapoesia@gmail.com.

Centro Livre das Artes da Palavra

 

 



Escrito por chacal às 15h01
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


 ESSES CARAS SÃO O CARA

.

click aqui:  http://www.youtube.com/watch?v=kx8chI0X4Cc

.

.

                                                                                                           simone k.

.

marcelo montenegro na voz e fábio brum na guitarra

para os que acham que a poesia pode ser algo menos aborrecido

que uma leitura mecânica num livro escolar

.

ps: os líricos falam um texto. os vanguardistas, vocalizam.

porque é difícil falar fotografia.

.

e esse de quebra.

http://www.youtube.com/watch?v=zA1qM1TebTg



Escrito por chacal às 14h48
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


 

 

Meu amigo e admirável Bráulio Tavares  é um cara generoso. Além do excelente escritor que é, ainda nos manda por e-mail suas crônicas variadas (quem quiser mais, vá lá em http://mundofantasmo.blogspot.com/ ).

Essa que se segue, peço licença ao parceiro para publicar aqui. Poeta, partideiro, repentista de mão cheia que é, ele sabe o que diz.

.

.

 

Tratados de versificação (8.10.2009)

Braulio Tavares

 

Sempre que ouço a expressão usada no título acima me vem à cabeça um trocadilho atribuído, se não me engano, a Emílio de Menezes.  Numa roda de amigos, alguém pergunta pelo poeta Fulano, autor de um desses tratados, e que há algum tempo, adoentado, não aparecia para bater papo na Confeitaria Colombo ou em outro reduto literário carioca.  Emílio respondeu: “Desde pegou uma gripe ele tem tratado de ver se fica são”. 

 

Os tratados de versificação, com suas complicadas regras de métrica, acentuação, prosódia, ritmo e outros efeitos, foram um inestimável instrumento e um permanente pesadelo dos poetas de outras eras.  Ensinar a um leigo como se cria um verso ritmado é uma tarefa tão cansativa quanto ensinar um adulto a ler.  Por que motivo tantos poetas, na hora da escrita, preferem contar as sílabas métricas batendo com o pé no chão ou, como dizia Dimas Batista, “contando nos dedos pra metrificar”?  Porque sabem instintivamente que a poesia é feita com o corpo, nasceu do corpo, e não do intelecto.  A versificação é uma intelectualização de um processo rítmico que o corpo sempre executou sem ter que recorrer a raciocínios.  Foi a poesia escrita que intelectualizou esse processo e o distanciou do corpo.

 

A poesia é oral.  Nasceu sendo falada ou cantada.  Quando alguém criou o primeiro poema escrito da história da Humanidade, provavelmente o fez escrevendo com caracteres cuneiformes em tabuinhas de argila, na antiga Suméria ou na Babilônia.  Foi um momento histórico: o primeiro poema que, sem ser dito em voz alta por ninguém, foi criado diretamente através de sinais gráficos que exprimiam sons.  Porque até então, durante muitos milhares (talvez dezenas de milhares de anos) os poemas longos e complexos de todas as culturas que existiam haviam sido criados oralmente, em sociedades onde não existia alfabeto.  As pessoas pensavam os versos, diziam-nos em voz alta, outras pessoas escutavam, repetiam, decoravam, e os poemas eram passados adiante, ao longo dos anos e dos séculos, sem que houvesse necessidade de uma versão escrita.  Quando esta necessidade surgiu, porque as populações cresceram, e as sociedades tornaram-se muito complexas, os poemas passaram a ser escritos.

 

Daí a dificuldade de explicar por escrito um processo auditivo e oral. Poetas não contam sílabas.  Eles encaixam palavras numa cadência ou numa melodia.  Poetas não contam vogais e consoantes: eles apenas articulam sons.  O poema oral e a letra de música são percebidos intuitivamente pelo nosso ouvido.  A nossa fala se amolda às cadências da recitação e do canto sem que a gente precise recorrer a conceitos como “sílabas”, “notas musicais”, “ditongos”, etc.  O poema escrito é uma conquista de sociedades complexas, mas não é necessariamente superior ao poema falado.  A poesia nasceu falada.  Enquanto os seres humanos usarem a fala para se comunicar, a poesia falada e cantada será uma das suas formas de expressão.




Escrito por chacal às 09h18
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


                                      eu, sérgio vaz, heloísa buarque e ferrez auscultando o público

.

.

SÓ O IMPOSSÍVEL ACONTECE. O POSSÍVEL APENAS SE REPETE !!!!!!

 

Foi grande a quarta feira na Vila das Belezas e em Piraporinha na perifa paulistana. Como em todo contato com a Cooperifa, saio engrandecido. Sempre aprendo muito. A mesa à tarde foi no CEU Casa Blanca – centro educacional unificado –  criado por Marta Suplicy para suprir com um centro comunitário de alto nível, a periferia. Um centro comunitário, muito além de uma escola para a educação formal, com um espaço multiuso para 450 pessoas, amplo, arejado, piscinas e campos esportivos. Um espaço para tratar as pessoas como elas merecem. Mas política é política. Guerra é guerra. Depois que o DEM de Kassab assumiu a prefeitura, o CEU vem sendo progressivamente desmobilizado, principalmente em suas funções de espaço aberto à comunidade. Mas deixa estar, jacaré... O boi está se dando conta da força que tem.

            A mesa com a eterna mestra Heloísa Buarque de Hollanda e os poetas Sérgio Vaz e Ferrez (prazer em conhecer), foi de grande eloquência. Heloísa, do alto da sua magnitude, fez pressão para que escritores e poetas periféricos cada vez mais se afirmem como poetas e escritores que são, sem classificação geográfica que ajudem a academia a inferiorizá-los.  Eles são poetas e escritores que nasceram na periferia e falam da periferia. Mas acima de tudo, são poetas e escritores. Mas isso é uma preocupação da querida mestra que respira a academia, embora tenha uma constante e saudável curiosidade em saber o que rola do lado de fora. Tiro o chapéu para Helô. Ela sabe articular muito bem, as instâncias do institucional com o indomável. A política do possível no reino do vamos nessa.

A rapaziada, ainda bem, não está preocupada com isso. A situação da comunidade é muito mais importante do que esse reconhecimento de um sistema que sempre esteve do lado dos que fazem com que a comunidade permaneça do jeito que está. Só que a comunidade muda. Por força desses guerreiros, como o Sérgio Vaz e o Ferrez, a comunidade não está mais muda. E não é só com o hip hop que a comunidade se manifesta. Ela quer poesia e respeito. Poesia e pão. Poesia e vida. Ave, Cooperifa! Ontem fez oito anos. Uma festa magnífica no bar do Zé Batidão. Poetas de todos os sexos e idades. De Dona Ruth, uma senhora cega, com um poema vigoroso até o Luís Henrique, um garoto, um azougue, poeta e performer de mão cheia. Vi o cara de longe (já descia para pegar o ônibus com meus parceiros poetas, Rui Mascarenhas, Caco Pontes e Berimba). Mas ainda vi o bar do Zé Batidão pulsar ensandecido com a movimentação energética do rapaz. O dia que São Paulo for, além da cidade do F.H., a quebrada do L.H. , o Brasil melhorará.

 

                                                    conselhos da eterna mestra

 

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> 

 



Escrito por chacal às 11h53
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
 
Meu perfil





BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, GAVEA, Homem, de 56 a 65 anos, Portuguese, English, Livros, Música
Outro -



Meu humor



Histórico


Votação
Dê uma nota para
meu blog



Outros sites
 cooperifa / sergio vaz
 bendita palavra maldita
 cep 20.000
 ubuweb
 mario bortolotto
 fernanda d'umbra
 cemitério de automóveis
 ademir assunção
 radiocaos
 cronópios
 daniel soares / dudu pereira
 ivana arruda leite
 márcio américo
 thadeu wojciechowski
 cão danado - cássio amaral
 sensívelldesafio
 cléo de paris
 lorena poema
 marcelo sahea
 simone kaplan
 cecília-borges
 sobrecasaca
 numa noite qualquer
 raul mourão
 orfanato portátil - marcelo montenegro
 paulo scott
 a dobradura / alice sant'anna
 pat lopes
 carol luiza
 BAILINHO
 paulo pessoa
 inverno de julho
 eu e minha bicicleta
 jaguadarte
 as escolhas afectivas
 pseudopop / ledusha
 ERRATICA
 leminiskata / solda
 big city small town / edkuma
 dado / febril
 danislau também
 marcelo noah
 girassóis e vinho tinto