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Glória ! Gloriosa glória ! Só o impossível acontece ! esse ano quem diria, o CEP completa 20 anos. Atravessamos borrascas, hecatombes,tempestades, mas estamos aí, rijos feito o aço de Toledo. E é para comemorar tão formidável data, que resolvo tornar a conversar sobre poesia falada, a maior contribuição do CEP à comunidade. 
Vou abrir as conversas com um email que enviei recentemente, para meu admirável e raríssimo poeta, Carlito Azevedo. Fala sobre o primeiro volume do Lado 7, selo de audiolivros da 7 Letras. Essa exemplar editora, que renovou o ânimo da poesia no rio e no país, e que durante anos foi quase a contraparte do CEP 20.000. A 7 Letras com seus poetas mais refinados, poetas de muita leitura e basicamente da palavra escrita e o CEP 20.000, esse covil de titãs do verso solto, falado a plenos pulmões. Agora a 7 Letras vem com seus audiolivros e 2 poetas do CEP, Pedro Rocha e Ericson Pires. Enfim, duas grandes e dignas entidades dessa cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, que faz quase 450 anos amanhã. 
manoel ricardo, sidney cruz, carlito e eu no cariri, parolando. " caro carlito, estive lá na 7 etras. conversei com o jorge. ele me deu o audiolivro da denise emmer. achei linda a voz dela. parece uma sereia. uma iara. escuto o cd sem parar. mas penso que falta um acompanhamento no papel. engraçado, começo a achar a palavra escrita ainda o melhor veículo para o poema. parece que você penetra melhor nas suas artimanhas, parece que ele retribui à sua intenção de decifrá-lo. a audição pura e simples ( tão largada, tanto tempo) parece que o poema se oferece, mas não se dá. quando há a presença do poeta lendo ou falando, isso já acrescenta outras leituras que podem compensar essa passividade..... " . a poesia falada, de raridade nos anos 70, virou quase uma compulsão nos dias que correm. é sarau pra todo lado, especialmente em são paulo. espero que a quantidade gere qualidade e que a gente possa ter mais vivência para avaliar qual o melhor caminho para uma boa transmissão do poema.
Escrito por chacal às 16h31
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ai uma conversinha ilustrativa do ricardo domenech, parceiro da coleção Ás de Colete, para o Portal Literal http://www.7letras.com.br/informes/?id=64 PL - Você deliberadamente sugere que seus poemas devem ser ouvidos ao invés de lidos com Sons: Arranjo: Garganta? Fala para a gente sobre o formato dos festivais em que você participa na Europa e que talvez não tenham paralelo por aqui.
RD - Em meu primeiro livro, Carta aos anfíbios (2005), eu iniciei minha pesquisa pessoal sobre a corporalidade da escritura, como já havia uma preocupação clara de quebrar ou pelo menos borrar dicotomias e dualidades entre o corporal e o espiritual, o que levava a várias implicações: questionar a fronteira entre objetividade e subjetividade, entre concretude e abstração e também, consequentemente, entre o literário e o oral, o signo visual e a matéria fônica da poesia. Isso gerou em mim também a necessidade de espraiar minha pesquisa para além das fronteiras da escrita, passando a compor meus vídeos, performances e poemas orais. Nesses dois últimos livros, tanto a coletânea A cadela sem Logos (2007) como agora este Sons: Arranjo: Garganta (2009), eu já compus e escrevi como aquele que escolhe viver na fronteira entre o oral e o escrito. Ao mesmo tempo em que compunha esses livros, apresentava por exemplo na TV Cultura meu vídeo Garganta com texto (2006), em que defendo uma pesquisa poética vocal, já que o verbivocovisual dos concretos, por exemplo, frequentemente suprimia o vocal. Nesse aspecto, ligo-me à pesquisa poético-sonora de brasileiros como Philadelpho Menezes (1960 - 2000), Ricardo Aleixo, Chacal, Arnaldo Antunes, Gláucia Machado, Marcelo Sahea, entre outros. O poeta britânico Basil Bunting (1900 - 1985) chegou a declarar que grande parte das concepções errôneas sobre poesia surgiram com o hábito da leitura silenciosa. Não sugiro que uma experiência sobreponha-se à outra. Quando ataco a hegemonia do literário sobre o oral no debate poético, não quero apenas inverter os valores. Nós ganharíamos muito com uma pluralidade poética, o que não significa abandonar a crítica ou instaurar parâmetros frouxos. Significa entender que há pesquisas distintas, aquelas que podem ser feitas apenas como escritura e as que pedem a oralidade, o corporal. Esse livro foi publicado como objeto, carregando textos escritos. A oralização deles é uma das experiências possíveis com esses textos. Há alguns que já possuem sua versão oralizada, como as "Six songs of causality", que são um bom exemplo para essa relação. Compostos primeiramente como uma série de textos permutativos, eu creio que só ganharam sua plenitude quando compus sua versão verbivocovisual, em performance, que pode ser vista nesse vídeo, de minha apresentação no Espai d´Art Contemporani, nos arredores de Valência, nas Espanha: http://www.youtube.com/watch?v=dvN8Bv0lBWc
No Brasil, onde há uma poesia oral e cantada tão forte, o abismo entre poetas-escritores e poetas orais parece intransponível e ainda marcado por hierarquias e trincheiras. Não há, por exemplo, um costume de leituras públicas. O contacto com os poetas hispano-americanos começou a mudar isso, mas ainda se desconfia muito de tudo, pelo medo do histriônico e teatral, algo em que pecam muitos dos poetas brasileiros que buscam o performático, infelizmente. Há trincheiras na Europa também, os poetas sonoros e os poetas escritores também se miram com desconfiança e muitas vezes até com certo menosprezo. Mas há cenas fortes de ambos os lados, assim como muitos poetas que estabelecem pontes entre as práticas literária e sonora, como os franceses Bernard Heidsieck e Christophe Fiat, os espanhóis Bartomeu Ferrando e Eduard Escoffet, os alemães Michael Lentz e Nora Gomringer, entre outros. Há muitos festivais em que poetas-escritores oralizam seus trabalhos, como o Poesiefestival Berlin, que dedicou a edição do evento em 2008 à língua portuguesa, assim como festivais exclusivamente dedicados à poesia sonora, como o Yuxtaposiciones, de Madri, que este ano convidou Joan La Barbara, Nathalie Quintane, Sandra Santana, Anne Waldman, entre outros. Eu já participei tanto do Poesiefestival de Berlim, com sua abordagem literarizante, como do Yuxtaposiciones de Madri, que enfoca a performance e a oralidade. O saudável seria instaurar parâmetros que não tentem excluir uma das pesquisas. comentário: no famoso texto "Inspiração x composição" que joão cabral escreveu em 52, ele diz que a vanguarda, ao destrinchar as várias qualidades do poema - fônico, semântico e visual - tinham desmontado o relógio. agora sabiam que partes o constituiam, mas não sabiam mais montá-lo, restando uma máquina inútil. acho que a poesia concreta, como uma digníssima vanguarda, esquartejou o poema. em alguns belos momentos como n'o pulsar, por exemplo, as três qualidades - verbovocovisual - se amalgamam e o poema alcança potência máxima. mas eu invoco com esse "voco". na poesia marginal, o voco vira fala, que sem deixar de ser sonora, está mais próxima conversa. gosto da experiência do ricardo e concordo com ele que deve haver espaço para as várias formas de transmissão da poesia. mas ainda tenho algumas opiniões que podem e devem ser mudadas.
Escrito por chacal às 15h54
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 UM CANIBAL EM SUA 120º DENTIÇÃO Claufe Rodrigues fez um excelente programa para comemorar os 120 anos de nascimento do nosso maior e mais polêmico poeta e pensador, Oswald de Andrade. Dou meu depoimento de fã absoluto. Oswald me fez amar a poesia e ver o Brasil por outras lentes. Outros dois mestres inomináveis, Ferreira Gullar e Décio Pignatari também tecem loas ao grande antropófago. Deem um look no programa: http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,MUL1450738-17665-310,00.html É uma pena que Oswald hoje, cada vez mais esteja sendo visto como coisa do passado. Ele que anteviu o futuro, ele que ainda incomoda nossas academias. ele que depois do tropicalismo e da poesia marginal, foi novamente defenestrado pelo expertise financeiro que esculhamba com a cultura e a arte brasileira. 
ps: para não dizer que o nosso gigante antropofágico foi de todo esquecido, o CEP 20.000, a invenção mais criativa e anárquica desse finício de milênio, foi indicado para o Prêmio Estadual de Cultura do Estado do Rio de Janeiro. Dentes pra que te quero !!!
Escrito por chacal às 15h47
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