chacalog


CARLITO AZEVEDO lançou seu novo petardo eletrificado: MONODRAMA. estou sorvendo a conta gotas. quase um album de figurinhas volúveis e voláteis que as letras prendem no papel e na fluidez da memória. MONODRAMA! MONODRAMA! MONODRAMA!



Escrito por chacal às 12h12
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MOSTRA DO CARIRI / 2009

cheguei ontem rouco do cariri.

eta mostra da pá virada! o crato é uma belezura. a serra do araripe, uma onda verde. de manhã e de noite, temperatura mais que agradável. na quarta, choveu muito. dançamos na chuva. carlito, manéu, ieda, anna dantes, seu filho lucas, sidney e eu no show irretocável do brasov. 2 horas de folia na chuva. depois cerveja, cigarro e os cocos do carlito na magnífica pousada encosta da serra até o dia nascer a cântaros.

na tarde de quarta, fomos à terreirada em vila nova, um lugarejo perto do crato. fomos a um benzedor para curar a cacunda de manoel ricardo, acidentado no futebol e agravado no crato. mestre moiséis, além de benzer, cantou umas peças pra nós. a cultura oral inteira nesse ilustre país iletrado. "aí chicorró olhava pra cima, olhava pra baixo e mandava uma peça. a bebida acabou com ele".

depois fomos ver a terreirada e foram chegando os reisados com seus vestes assintosamente coloridas com fitas e espelhos e orquestras cabaçais e lutas de espada. o reisado são miguel faz uma releitura (palavra na moda no cariri) da folia. se vestem de centuriões com meiões do flamengo.

passamos no vilarejo, aquela modorra na tarde calorenta. mas em pouco tempo, os reisados com seus mateus, de cara preta, língua e cintura solta, fizeram a festa. todos tem celular e parabólica. aguardamos grandes mixagens.

no mais, minha oficina funcionou. alguns poetas, venceram o preconceito do "eixo" e compareceram. a tradição do cordel é muito forte. mas aguardamos mixagem.

no mais, desenhamos o baixo do cariri com carlito como o profeta, sidney, o primeiro convertido, manoel fazendo o complexo e controverso floro bartolomeu e o tremendão do crato, nosso santo rockeiro, que fará a pedra rolar e a índia velha calar, com trilha sonora do ulisses, mestre e aluno, amestrador de roedores. grato a todos os poetas do crato q me acolheram legal. já já, posto as fotos.

agora recuperar a voz e voltar pra ela, a mosca do anhagabau, que amanhã em são paulo tem BALADA LITERÁRIA.



Escrito por chacal às 11h58
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BALADA LITERÁRIA:

SÁBADO

19h00 – Biblioteca Alceu Amoroso Lima:


 

Dois famosos poetas “performáticos” dos anos 70 (sic) encontram dois famosos poetas “performáticos” dos anos 90
 
CHACAL [poeta carioca] e NICOLAS BEHR [poeta mato-grossense radicado em Brasília] conversam com DANI UMPI [poeta, ator e cantor uruguaio] e MICHEL MELAMED [foto - poeta e ator carioca]
eu, chico alvim, nicolas behr / brasília 2007.


Escrito por chacal às 11h34
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LES PLASTICIENS VOLANTS OSGÊMEOS ELA E EU

Espetacular chegar da Viagem Literária de cinco dias e cinco cidades de São Paulo, correr para o Anhangabaú para ver a festa que reunia o grupo francês Les Plasticiens Volants e os grafiteiros Osgêmeos. De longe já via os bonecos infláveis e escutava a valsa eletrônica. Procurei como um louco a Mosca Gigante. Meu amor podia estar dentro dela, zumbindo atrás do grande boneco d' osgêmeos. Era uma festa rigorosamente linda. O centro da grande cidade cheio de gente de todo tipo encantado. Na euforia do espetáculo, os bonecos infláveis gigantes correm e ondulam no meio da multidão. Essa ensandecida, urra e dança, efusões de felicidade. Bom depois de uma semana percebendo onde São Paulo cresce ou se esquece, ver aquela liturgia pública de puro êxtase sensorial, foi um refrigério. Perdi a mosca que abre o espetáculo, mas no final, encontrei meu amor, já transformada em Dani, e entre pipocas, papel picado e fogos de artifício, nos enroscamos. Ah São Paulo! Que vontade de te viver!



Escrito por chacal às 10h02
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ESSES OUTROS TEMPOS

 

Se, como queria Rodolfo Agrícola, em 1.444, todo poema, educa, deleita e comove, todo poeta é um educador em potencial. Sei disso porque meus grandes mestres foram os poetas, a ala dos compositores da humanidade. De Bob Dylan a Allen Ginsberg, de Oswald de Andrade a Caetano Veloso, de Manuel Bandeira a Chico Buarque e tantos outros camaradas contemporâneos que me iluminam.

Mas do educador para o professor, o caminho é longo. Creio que me falta a didática ou saber o caminho habitual que nos leva à Roma. Mas como tenho boca, chego lá. Tive que sair da escola para aprender Oswald e ouvir Ginsberg. Tive que aprender na rua e nos livros, o que a escola não me ofereceu. A escola é apenas um ponto de partida. Dá a base,  alfabetiza e muitas vezes,  tolhe a criatividade. Temos mesmo que procurar em outro lugar. Nas oficinas que vão surgindo. Cursos livres, internet, bibliotecas e principalmente, o mundo.

A escola hoje passa por um desafio sem precedentes. A tecnologia se desenvolveu barbaramente nessa era digital. As novas gerações, criadas nesse ambiente, já tem outras sinapses, outras percepções da vida e do mundo que a lenga lenga dos livros didáticos, pode inspirar. Os jovens professores sabem disso e vivem também esse conflito. Aos antigos, os belos sonetos.

Não é à toa que a maioria das bibliotecas tem a sua central digital. Pelo menos das que visitei agora em São Paulo. Pesquisas são feitas quase que só pela web. Centros que devem ser monitorados por jovens que conhecem o assunto e equipados com programas educalúdicos que possam concorrer com os games das lan houses, essa droga nova.  Lembrei agora de um jogo da minha infância que era um quiz. Tinha um fio com um plug e a cada pergunta, algumas alternativas de resposta com um terminalzinho elétrico. Você ia encostando o fio nos terminais e na resposta certa uma luzinha acendia. Mirácolo! Hoje, em tempos de GPS, parece uma imagem da Santa Ceia. Mas na época aquilo me eletrocutava. Devo admitir meu gosto pela low tech , por mágicos de feira e cantadores de arrebalde.

Mas voltando à vaca fria, deve ser duro ser professor. Ganhar pouco e ainda viver cercado de olhares descontínuos. Olhares de um tempo em que a fala foi substituída por bits e bytes. E não dá para ser de outro jeito. Ou dá? Cabe a quem quiser penetrar nesse maravilhoso mundo da juventude conectada, se adequar a isso. E cabe ao MEC, ao MinC, às Secretarias de Educação e Cultura, ajudarem nessa conversão, abrindo Pontos de Cultura e oferecendo oficinas, encontros, conversas extra-curriculares.  E aos poetas, adequar a linguagem às novas sínteses, aglutinações e outros barbarismos desse presente tão cheio de passado e futuro.



Escrito por chacal às 09h37
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