Dois dias de cão. Uma noite de gala.
Cheguei de Sampa no domingo, bati na cama, cansado e feliz. Fiquei. O sono atrasado, a viagem cansativa, me destruíram. Flu perdeu pro Ipatinga. Tristeza. Amanhã é outro dia.
Comecei a segunda no jardim botânico. Correndo. Respirando fundo. Duas semanas sem fumar. Bebendo pouco. Pra namorar. Peguei o camelo, incorporei o helinho e fui pro SESC. Helinho é o Office boy do ricardo que é o produtor do chacal. Vida de poeta é acumular funções para sobreviver no limite. No SESC, consegui enfim, receber. Como pessoa física é algo, como poetas, em extinção, e pessoa jurídica, algo que poetas não tem bem como manter, o conflito se instala. E haja Helinho, na bicicleta, pra lá e pra cá. Resolvido o assunto, graças à gloriosa intervenção da Cely, rumo ao Brasas para a prova d’inglês. Tento recuperar o tempo perdido em tantas viagens. Tomei pra mim a missão de ainda poder entender as letras de Bob Dylan ao ouvi-las. Tento recuperar o prejuízo que uma vida voltada para a poesia, à indolência e ao drama, ainda não permitiram alcançar. Ainda.
Fiz a prova. Nota fraca. Viajar é bom, mas te tira do eixo. À noite em casa, a lombar começou a doer. Seu Júlio me lembrou da pipoca para o aniversário de 18 anos do CEP. Era preciso um bujão de gás pequeno. Fui à luta na Rocinha. Vida agitada a Rocinha à noite pela hora da novela. Gente chegando, gente circulando. Brotos de shortinho, TVs ligadas, mas o gás não tinha. No Valão, no Valão, no Valão. O cara me convenceu de comprar um bujão vazio e trocar por um cheio na manhã seguinte. Fechado. Sai da Rocinha, com um bujão vazio.
Dia seguinte, dia do CEP, às 4 da madruga, vi o Brasil vencer bem a sérvia, nos jogos olímpicos de vôlei. às sete estava na favela. Muita gente circulando, indo pro trabalho. Dei o bujão para um cara e ele sumiu. Fiquei esperando na parada, o traficante de gás voltar. Tinha um cachorro bonito, preto, deitado no chão. Chega uma velha, parecia alcoolizada e começa a chamar o cachorro de negão. E vem cá negão. Qual é negão. E o negão nada. De repente, o cara voltou com o bujão cheio. Tudo no tempo animado da roça. Economia pra lá de informal. Mundo paralelo. Cai dentro do vasilhame, minha Brasília 76 e voltei pra gávea. Deixei o bujão e sai para liberar o CEP no ECAD. Uma das vantagens de se cobrar barato o ingresso do CEP, é que a taxa do ECAD é baixa. Se fizer de graça, a taxa sobe muito porque aí rola um cálculo abstrato em cima da capacidade do lugar vezes noves fora alguma coisa.
Já que estava na cidade – a lombar doía – resolvi procurar um cabo para descarregar as fotos do celular no computador. Rodei aqui e ali e nada. Maluco. Com a coluna doendo,
resolvi desistir do cabo e já que estava ali mesmo, resolvi depositar o prolabore dos meus convidados no V de Verso, que fiz no SESC há duas semanas. E entra e sai de banco. E faz cheque. Helinho ia muito bem. Mas quando foi pagar o ônibus para chegar em casa, descobriu que não tinha mais a carteira. Chorei. A coluna torta, a hora do CEP se aproximando e eu ali sem a carteira. Pensar em suspender cartões, tirar nova identidade e carteira de motorista. Chorei e minhas lágrimas molharam a rio branco. Depois de voltar a todos os bancos e querer morrer ali mesmo, o celular toca. Acharam a carteira. Estava na Buenos Aires, 77. Fui voado pra lá e lá estava ela, sem a micharia, mas com todos os documentos. Onde estava, quem achou, deixei pra lá. Agradeci e me mandei. O CEP se aproximava e eu precisava recuperar a lombar. Manoel de Barros, no ônibus, me fez esquecer do helinho.
Escrito por chacal às 17h14
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parceiros desse redemundo ,
ando sem tempo pra nada. nem de atualizar esse blog chacalog. en passant posso dizer que o Vocabulário foi vasto e estranho. começou aflito e acabou nas nuvens com um show orgástico do Edvaldo Santana. Teve a Neuza Pinheiro. Um pecado de linda. Teve o Joca Terron e o Ney Piacentini, seu espelho de barba e careca. O explêndido Rui Mascarenhas e seu canto invocado. Ivana Arruda com um conto lésbico marravioso. Teve a Bebel, sua filha, na produção. Sabe tudo.Teve o Ademir, muito esplêndido. Teve um cara muito bom do sul. O Diego Grando e suas bolas de soprar. Teve a Ana Cristina. De novo, o máximo. Teve mais uma vez um atraso insuportável. (Sou muito careta pra isso). E mais tanta, tanta gente.
A aula do V de Verso antes do Vocabulário tb foi legal. Contei história da poesia marginal. Associei a cidade ao corpo à poesia falada. Foi bonito. 9 alunos. Tomara q outros entrem essa semana para criar um grupo de combate para assaltar o marasmo com poemas, gestos, imagens de alto quilate. Vamos a ver. as aulas serão no centro cultural o b_arco o b_arco, rua dr. virgílio de carvalho pinto, 426 - são paulo - sp - (11) 3081-6986, aos sábados de 15 às 17 hs. sábado 16 começa pra valer. o cep, o vocabulário precisam de grupos plurimulti a fim de assoprar poema no olho do que não gira. espero que o paulo, o amarildo, as cláudias, a valeska e todos os outros, se animem a continuar.
hoje tem a festa de 18 anos do CEP. espero estar inteiro amanhã para contar o acontecido. será ?
ps: brasil jogou bem contra a sérvia hoje. acho que dá.
Escrito por chacal às 16h44
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